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"Tive a oportunidade de ouvir alguns 'causos' contados por gente
da ilha......Em alguns
fatos narrados abaixo eu estava presente"
por Claudio Aguiar - praticante de trekking............................ |
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Roubar Moças
Na Praia do Aventureiro ainda existe o estranho costume de "roubar moças". Os jovens - na
maioria adolecentes - saiam durante uma noite com sua pretendida e com o propósito firmado de se
unirem de um modo peculiar na Vila, morar juntos em outras praias ou no próprio local. Na maioria das
vezes, esses fatos acontecem durante a "festa da lua", promovida anualmente durante a
segunda lua do mês de maio (onde se comemora a festa religiosa na Vila de pescadores.
Incesto
No passado, casos de incestos ocorriam frequentemente na Ilha Grande. Primos, ou até irmãos durante
a infância fugiam para as praias através das trilhas ainda rupestres afim de morar juntos. Cresciam
com a experiência de um verdadeiro caiçara onde, na maioria das vezes aprendiam a pescar cedo. Criar
aves ou plantio de roça caiçara de plantação de mandioca (coivara) era uma das atividades para
sobrevivência.
Os pais não se preucupavam tanto pois, sabia que o aprendizado à sobrevivência era princípio
básico da família.
Os novos casais tinham a seu favor a dificuldade que os pais encontravam para achar os filhos e de se
comunicarem no território imenso que é a ilha.
A praia de Airton Senna
Airton Senna fazia cooper na praia de Lopes Mendes quando estava de férias em Angra dos Reis. Amante
da bahia da Ilha Grande, praticava esportes náuticos ao redor da Ilha e, não dispensava um mergulho
nas praias em dias de Sol. A Ilha dos macacos era uma das preferidas de Airton.
Tamanho é Documento
Doze vezes maior que Fernando de Noronha e com o tamanho de Aruba no Caribe, A Ilha Grande é tomada
de assalto nas altas temporadas de férias. A população da Ilha fica cinco veses maior a cada
temporada que vai de dezembro a fevereiro do ano seguinte
Golfinhos
A praia de Parnaioca ganha a companhia de golfinhos durante o verão. Inúmeros passeios de barcos
partem das praias ao redor com destino à Parnaióca ganha a companhia de golfinhos. Os dóceis
mamíferos do mar são avistados durante o período de amamentação na enseada da Parnaioca.
Tubarões
No passado, a presença de tubarões já assustou os moradores da praia de Parnaioca, hoje eles não
são mais vistos por lá.
Cobra Gigante
É impossível passar por uma das Vilas da Ilha sem ouvir as famosas histórias de pescadores que no
verão, durante o período da desova da sardinha - em que os pescadores estão de férias - não é
difícil encontrá-los sobre as amendoeiras contando causos.
Me lembro de uma história contada por um morador da praia do Aventureiro. Ele disse que certa vez, os
fiscais do IBAMA tentaram aterrizar com um helicóptero na areia da praia do Sul, na altura de um
mangue mas, foram impedidos por uma gigantesca cobra que saiu da lagoa do leste. Com fortes botes ela
impediu que os fiscais aterrizassem no local. Se a história não fosse narrada por vários pescadores
da praia do aventureiro, talvez eu não acreditaria. Com certeza, em meus 13 anos de visitas à Ilha
Grande ouví muitos casos estranhos como este da "cobra gigante".
Racismo?
Fato marcante na praia de Provetá se deu no verão de 1996. Um policial reformado que morava na Vila
se revoltou com um pescador local de apelido "Negrão" e ativara o serviço Policial Naval
de Angra dos Reis para levar amarrado o "Negrão" para o continente.
Amarrado dos pés a cabeça, Negrão fora levado sem nenhum escrúpulo e defesa pelos policiais no
convés de uma lancha militar.
Os moradores da Praia souberam do caso e, em massa tentaram impedir que a lancha ancorasse no cais de
embarque. E gritavam todos em um só côro, "não, não, não, ...não leve o negrão..." O
caso marcou muito por saber que o abuso de autoridade do policial reformado nos fizesse lembrar do
tempo da escravidão e amarrara um negro com cordas dos pés a cabeça, afim de tirálo de seu
convívio com os amigos.
Baixada a poeira, ficamos sabendo porque ele havia sofrido o dano, ..."defendeu uma turista
argentina" que havia sido agredida pelo filho do tal policial reformado que, gostava de dar uma
de cherife da Ilha Grande.
Guerra aos Forasteiros
Os jovens nativos da praia de Provetá, não gostam da presença de turistas nas altas temporadas.
Isso deve-se ao fato de que os forasteiros acabam roubando a atenção das moças locais que se
envolvem em romances clandestinos com os jovens visitantes.
Na revolta, os caiçaras atiram ovos podres sobre os casais durante a noite. Como resultado elas
acabam se revoltando contra os nativos e lhes viram as costas durante todo o resto do verão.
Deus como companhia
Os moradores da Vila de Provetá são na maioria evangélicos. Uma colônia regida pela Assembléia de
Deus toma conta do vilarejo.
Fuga Cinematográfica
Nas muitas fugas que tinham como cenário as belas paisagens da Ilha, uma teve êxito e história.
Durante a atividade do presídio, o famoso "escadinha", teve sua fulga cinematográfica
sendo amarrado a uma corda e içado por um helicóptero.
Fugas sem sucesso
As fugas sem êxitos ocorridas durante a ação penitenciária na ilha, dava-se pelo desconhecimento
de alimentos na flora da ilha. Muitos presos morreram ao tentar fugir pela mata. Morriam feridos ou
envenenados por frutinhas e folhagem desconhecidas na grande mata da ilha. Armados com paus
ponteagudos e ferros com ponta de lança, os refugiados ameaçavam moradores locais afim de receber
ajuda na fuga. Os que conseguiam chegar ao continente eram surpreendidos pela polícia. Muitas das
fugas se transformava um passeio para os detentos.
Malandragem...
Os mais espertos usavam os tênis amarrados com a frente virada para o calcanhar, a fim de confundir
os detetives nas buscas.
No sendido em que os foragidos caminhavam, as pegadas direcionavam os policiais a irem para o sentido
contrário. Assim eles ganhavam tempo e tentava a fulga. Na maioria das vezes se rendiam aos
pescadores mesmo, em troca de alimento e socorro médico.
O Contador de Histórias
O sr. Antônio Ozório, pescador mais antigo da Ilha Grande morreu aos 86 anos de idade. Uma semana
após ser entrevistado por Marcelo Resende em uma reportagem para o Globo Repórter. A reportagem
sobre o "Homem do Mar" e acabou prestando uma homenagem ao pescador mais antigo da Ilha
Grande. Morreu no lugar que sempre quis, na areia da praia do Aventureiro.
Hoje não temos o sr. Antônio Ozório e sim o irmão dele, "sr. Carlinhos" que está com 77
anos e mora em Angra dos Reis. Nos feriados prolongados ele se retira para a Parnaioca juntamente com
sua família para suprir os turistas que visitam o local com uma barraca de lanches. Vale a pena ouvir
suas histórias.
De prisão à Liberdade
Muitos presos cumpriram pena e ainda hoje continuam morando na Ilha. Sem ter para onde ir, ficavam ao
redor do presídio vivendo da agricultura e da pesca. Um deles mora ao redor das ruínas do passado
até hoje, que é o "sr. Júlio". Residente na Vila de Dois Rios, é sempre procurado pelas
equipes de reportagens para falar do passado da ilha. Funcionário da UERJ, sr. Julio cria os filhos
no local em que era detento e hoje é amigo dos policiais que ficaram na ilha.
Passado Negro
Graciliano Ramos cumpriu pena durante o período da ditadura militar na Ilha Grande. Narrou sua
experiência nas páginas do livro "Memórias do Cárcere" que mais tarde também virou
filme.
Célebres hóspedes
Presos como Lucio Flávio, Escadinha e o político Fernando Gabeira, foram os mais famosos na Colônia
Penal Cândido Mendes. Os dois primeiros sitados deu origem ao filme nacional, "Bandido da
Falange"
Campeão de fotos
O garoto propaganda da Ilha Grande é um coqueiro que fica na praia do Aventureiro. Já foi capa de
várias revistas de turismo, cultura geral e Internacional. Ele exibe em sua forma sinuosa um
consagrado curriculum ecológico. Já foi cenário de fotos da atriz Brigidth Bardout.
O lado feio da Ilha
O lixão da vila do Abraão foi a ovelha negra nesta categoria. Fotografado por ínúmeros turistas,
foi criticado em várias revistas nacionais e entre elas "Caminhos da Terra" que publicou
uma carta enviada por um turista.
Hoje todo o lixo da Vila do Abraão já está sendo removido para o continete.
Furacão
O vento Sudoeste bate forte durante o inverno nas mediações da praia de Provetá. São comuns os
prejuízos causado no vilarejo. No verão há menos possibilidades do fenômeno mas, não é
impossível que o vento passe por lá na alta temporada. Os barcos ficam ancorados na praia vermelha
devido as fortes marolas que se formam no lado externo da Ilha Grande.
Intocáveis pelo homem
A duas lagoas que ficam dentro da Reserva Biológica da Praia do Sul, têm índice de "poluição
0" devido ao difícil acesso. Até mesmo para os biólogos que fazem mapeamneto no local o acesso
é difícil.
Novidade
Quando a antiga TELERJ atual TELEMAR instalou um orelhão na Vila de Provetá, uma fila kilométrica
se formou ao redor da cabine telefônica. A curiosidade dos 1200 moradores na época girava em torno
do aparelho - na época pouco comum na ilha - muitos não sabiam para que serviam pois, se comunicavam
através de rádio-amadores. Isto ocorreu em meados de 1995. Hoje a Vila dispõe de luz elétrica.
Incrível
Levei um amigo à Ilha Grande no carnaval de 1996. Ele gostou muito da Ilha, achou o máximo e até me
disse que nunca havia contemplado beleza daquele porte.
Algo estranho aconteceu com este amigo: acabou adiquirindo uma doença desconhecida até a data.
Depois de uma forte vontade de voltar para a casa dos pais no continente, ele teve o corpo tomado por
verugas enormes que entravam em erupção durante todo o tempo. Era o início de uma "depressão
por excesso de tranquilidade"... O nome dele é Walace e até hoje quando o vejo, me lembro dessa
história. |
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