Quanto eu tinha 15 anos estive pela primeira vez na Ilha Grande (a 15 anos atrás)
e pensei: "será que um dia voltarei a este paraíso?"
Com o passar do tempo, descobrí que "voltar ao paraíso" não era tão importante mas eu
precisava, ir ao seu encontro; e este encontro teria como caminho, as entranhas da mata. As trilhas que na
época eram quase fechadas pelo mato não eram sinalizadas e a presença do temido presídio não permitia
esta prática ou a tornava insegura.
As revistas especializadas em turismo, sempre divugou a Ilha como um paraíso ecológico na época do
presídio em atividade mas, havia um limite psicológico entre os praticantes de trekking e a Ilha que
impedia esta aproximação.
Seu território é hoje tão preservado quanto antes - palavra de quem conheceu a Ilha nesta época. E
hoje tenho que adimitir que as áreas construídas aumentaram consideravelmente nos últimos anos nas
três maiores vilas da Ilha "Abraão, Provetá e Araçatiba.
Araçatiba que no passado vivia da pesca artesanal, teve ocupação de muitas pousadas e foi descoberta
tendo como carro chefe a lagoa verde e o festival anual do mexilhão que acontece na vila. Embora as
pousadas sejam algumas rupestres, muitas funcionam em casas adaptadas e mesmo assim, os turistas as tem
procurado para hospedagem.
Provetá, que antes não corria riscos de ser influenciada pelos costumes do mundo exterior, tenta ainda
hoje se manter firme da atividade pesqueira que gira a economia local e não demonstra interesse em
explorar o turismo ainda.
Em 1989 conhecí os moradores de provetá e tive uma surpresa. Descobri um povo diferente - não só pelos
costumes severos aplicados pela Igreja evangélica que não permitia na época os homens tomarem banho no
mar de short e as mulheres com trajes sumários mas, um povo simples que mirava um olhar desconfiado para
os primeiros "forasteiros" que apareceram na vila.
Hoje a comunidade continua simples e os olhares desconfiados do passado, são os mesmos nas janelinhas das
casas, mas a chegada da energia elétrica e com ela a televisão, uma nova personalidade foi gerada nos
jovens de hoje em Provetá.
Abraão que no passado funcionava como porta de entrada principal para o presídio, é hoje a porta
principal para o turismo na Ilha Grande.
Engana-se quem pensa que os proprietários de pousadas em Abraão, são retirantes e não fazem parte dos
antepassados da Ilha. A maioria dos hoteleiros de Abraão, tem o mesmo direito que os nativos das vilas de
pesca pois, eles trabalharam duro no passado tomando conta dos que praticavam crime em nosso continente e
não tiveram outra alternativa com a desativação do presídio a não ser sobreviver do turismo.
Com a transferência dos policiais para a capital carioca, os familiares foram deixados em Abraão e com o
passar do tempo, não poderam conter o livre acesso das pessoas, e foram obrigados a melhorar a estrutura
da vila afim de receberem os turistas. Hoje a economia da Ilha gira em torno do turismo e vista de perto,
é bem organizada.
Um jogo de empurra-empurra
Hoje, órgãos ambientais criticam o turismo na Ilha e o julga desordenado. O governo se demonstra neutro
mas não toma providência sobre a fiscalização que só é feita com frequência nos feriados
prolongados. A prefeitura aparece nos finais de ano dizendo que é preciso conter a entrada de turistas na
Ilha mesmo sabendo que depende deles para girar a economia na cidade.
Enfim, a Ilha Grande se mantém incerta quanto ao seu futuro e hoje, os que a amam e a adotaram seja como
morador, turista ou simplesmente um internauta que a conheceu aravés de sites ou revistas turísticas, a
respeita como uma das mais belas Ilhas da costa Brasileira e a chamam carinhosamente de "paraíso
ecológico". |