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| .Relatório da Volta à Ilha |
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Por Andreia Fanzeres (Niterói-RJ) |
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Pré- incidentes
Almejada há um certo tempo, a desafiadora aventura de completar uma volta a pé na Ilha Grande nos
requisitou muito planejamento. Como qualquer outro, entretanto, apresentou surpresas e necessitou de
improvisos.
O primeiro deles diz respeito à equipe que viajou. Julio, o entusiasmo em pessoa, lutou contra uma
inflamação no seu pé até o último minuto que antecedeu nossa saída de Niterói rumo à Ilha.
Infelizmente ele mal conseguia carregar a própria mochila; o que seria então concluir os cerca de 65
quilômetros de subidas, descidas e areia fofa, que marcam a maioria das trilhas do nosso roteiro? |
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1º dia - 02/01/2002
Antes do nascer do sol já estávamos a postos aguardando a van que nos levaria a Mangaratiba. Embarcamos
e as 7h30 chegamos no cais. A barca sairia às 8h. Já havia muita gente aguardando sua partida. Julio
não estava mais conosco, mas sua câmera estava- e ela não só registrou parte da aventura, mas
testemunhou incidentes que também não foram ao ar. Ah, isso sem falar da bandeirinha cuidadosamente
pintada pelo próprio Julio, que nos lembrava a toda hora o porquê de estarmos enfrentando o desafio (ver
bandeira da troop)
Cantorias e balanços à parte, antes das 10h já desembarcávamos na Vila de Abraão. Compramos água e
esvaziamos os tanques para iniciar a primeira trilha, a que nos levaria a Vila de Dois Rios. Começamos a
subir às 10h20. As mochilas de todos, com exceção da mochila do Raphael - que mesmo cheia não se
comparava com as cargueiras que os demais levavam - estavam literalmente entupidas, exigindo de nós um
enorme esforço para subir a trilha até um mirante que existe perto de seu topo. Há alguns pontos de
água ao longo do caminho- momentos muito bem aproveitados para aliviar o forte calor daquela manhã.
Cerca de quatro horas depois do inicio da trilha e passando uma bifurcação, chegamos ao Poço dos
Soldados. Descansamos um pouco, mas logo seguimos mais 30 minutos até finalmente pisarmos em Dois Rios.
Lá, dirigimo-nos até o rio que desemboca na extremidade direita da vila, atrás do implodido presídio
Cândido Mendes. De águas cristalinas e refrescantes, aquele riozinho nos proporcionou o relaxamento de
que precisávamos para continuar nosso caminho até Parnaióca. É bom lembrar que até Dois Rios
percorremos cerca de 7,5 quilômetros.
Pegamos onda, resgatamos as mochilas da maré que estava subindo, ah, e recebemos carinhosamente (ou seria
estupidamente?) nada menos do que um salame de uns granfinos que nos observavam na praia, próximos aos
seus iates (só para aumentar o peso de nossas mochilas). Às 15h45 começamos a trilha (infinita) para
Parnaióca. Já era sabido que a trilha era uma das mais fechadas e monótonas de toda ilha. Mesmo assim,
tínhamos uma expectativa bastante positiva quanto a isto. Apenas em 2 momentos encontramos outros
andarilhos, que, por sinal, não nos animavam em nada com suas informações. Sempre estávamos ainda
muito longe de nosso destino. Neste ponto do dia, o cansaço já era demasiado. A trilha longa e as
mochilas pesadas desanimavam-nos. Aos 10 minutos chegamos a uma ponte, um clarão na mata onde paramos por
alguns instantes de descanso. Depois seguimos. Genericamente a trilha possui bons e freqüentes pontos de
água, tem muitos pedaços planos, mas também subidas e descidas leves, estava com lama do meio para seu
final, e possui alguns pontos de referência como a Gruta das Cinzas e a Árvore Gigante. Esta última foi
alcançada depois de 1h25 minutos de caminhada. Em termos de tempo, não seria ainda nem a metade do nosso
caminho. O que angustiava, na verdade, era de fato a monotonia do caminho, que não possui mirantes, é
escuro em função da copa das arvores, e conta com uma paisagem que se repete de um ponto em diante.
Riacho, plano, vegetação que espeta, subida, descida, bambus... riacho, plano, vegetação que espeta,
subida, descida, bambus... Aquela trilha foi realmente uma prova de fogo para a nossa equipe, que em
alguns momentos perdeu o controle e se estressou. 3h20 minutos depois de termos deixado Dois Rios,
chegamos em cheio a um camping na praia de Parnaióca, onde nos estabelecemos e passamos a noite por
apenas R$5. |
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2º dia - 03/01/2002
Devido ao cansaço demonstrado no dia anterior, foi sugerida a opção de passarmos mais um dia em
Parnaióca alterando nosso plano de retornarmos a Abraão, completando uma volta na Ilha. Mesmo que esta
alternativa partisse o coração dos mais idealistas, ela foi aceita por uns. Surpreendentemente, porém,
foi rejeitada pela maioria. O motivo é que vale a pena revelar: não pela vontade de chegar a Abraão,
mas por provar que em verdade não haveria ninguém cansado ali. No dia seguinte, descobriríamos o que,
de fato, se passava no grupo... De manhã, conhecemos um pequeno habitante da praia, Rafael, de 4 anos.
Como precisávamos diminuir drasticamente o peso das mochilas (algumas chegavam a pesar mais de 15
quilos), chamamos o menino para tomar "aquele" café da manhã, com bolo de chocolate e tudo.
Vale também mencionar o achado dentro da barraca do Guilha, Egidio e Felipe: um inseto não identificado,
todo amassado num isolante térmico; a tentativa frustrada de a Milla aprender a riscar um fósforo; o
incêndio que o Guilha quase causou ao usar seu novo fogareiro na noite anterior; e o refinado sucrilhos
com leite do Raphael e do Thiago pela manhã.
Os trechos que deveriam ser percorridos neste segundo dia eram o que mais preocupavam Andreia, desde a
fase de planejamento da viagem. Razão disto era a falta de informações sobre algumas trilhas, a
situação de cheia ou vazante em rios que deveriam ser atravessados, e o Costão do Demo. Como se não
bastasse, antes de partirmos, alguns campistas nos alertaram sobre a possibilidade de sermos interceptados
por um helicóptero enquanto atravessássemos a Reserva Biológica da Praia do Sul. Apesar desses (e de
outros) indícios negativos, começamos a trilha. Neste dia quase tudo deu errado, a começar pela
primeira trilha. Depois de alguns minutos, no meio da mata, encontramos a trilha certa, felizmente. Mais
adiante, passamos por um mirante e pensávamos já estarmos chegando as areias da praia do Leste, mas
estávamos enganados. Fomos ultrapassados por outros trilheiros, mas como não os acompanhamos, não
poderíamos ter certeza sobre o caminho que estávamos tomando. Quando as incertezas começaram a
incomodar demais, paramos e retornamos a Parnaióca. Era a primeira grande decepção do percurso.
De volta ao ponto de partida, e depois de andarmos toda a praia de Parnaióca, avistamos um barco, e
talvez ele pudesse nos levar ao destino traçado para aquele dia: a praia de Aventureiro. Por sorte, ele
estava mesmo indo para lá. Negociamos (R$ 13) e embarcamos. Não tínhamos opção: era o barco ou a
permanência na praia e novas tentativas de encontrar a trilha certa para Aventureiro, o que de qualquer
modo, inviabilizaria a conclusão da aventura: chegar em Abraão no tempo previsto. Momentos hilariantes
dentro do bote que nos levou ao barco "Castromar" também devem ser lembrados, ou melhor, o
aprendiz de remador e a nervosa passagem das bagagens ao barco principal. Durante o percurso, de 35
minutos em alto mar, Milla passou mal e Andreia não relaxou um minuto sequer, sendo inclusive
"zoada" pelos demais. Faz parte...
Chegamos à enseada de Aventureiro, onde nos estabelecemos no camping mais próximo. A praia não estava
muito cheia, ao contrário da fama que possui sobre este aspecto. O camping era basicamente um galinheiro.
Os campistas dividiam espaço com patos e galinhas, permanentemente ameaçadas a virarem uma bela de uma
canja. Foi engraçadíssimo passar dois dias naquele lugar, que abrigava também campistas de longa data,
com hábitos, digamos, peculiares. No final da tarde nos dividimos. Cada um foi fazer o que mais queria
naquela praia linda. Uns foram até o característico coqueiro entortado a 90º na beira do mar,
mergulharam ou aguardaram o pôr-do-sol de uma pedra próxima à entrada da enseada, perto também da
bandeira que indica a condição de navegação da região. Justamente devido à beleza do lugar,
novamente foi sugerida a opção de ficarmos mais um dia ali. Desta vez, acatada. Não apenas em função
da praia, mas também da desmotivação de algumas pessoas em atingir Abraão. Uma espécie de comodismo
misturada com cansaço e satisfação por estar em Aventureiro, em alguns mais acentuada do que em outros.
Essa questão foi foco de discussões, porque, de fato, era triste ver naquele ponto da viagem, nosso
maior objetivo sendo desfeito. |
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3º dia - 04/01/2002
Quando o dia amanheceu, fomos caminhar pelas praias do Demo, Sul e Leste respectivamente, já que no dia
anterior cortamos, através da viagem de barco, todo este percurso. Sem mochilas pudemos aproveitar mais.
Guilha quis ficar descansando em Aventureiro. Os outros foram até o ponto de manguezal entre as praias do
Sul e Leste (juntas elas totalizam 5km de areias desertas). Trata-se da foz de um riozinho que dá acesso
a duas grandes e inexploradas lagoas no interior da Reserva Biológica da Praia do Sul. O rio estava na
ocasião cheio e escuro, o que escondeu um enorme caranguejo que nos surpreendeu. O dia estava bastante
ensolarado, perfeito para aquela atividade. Mergulhamos também na praia do Sul, mas tivemos que tomar
bastante cuidado. Tanto aquela praia quanto a do Leste são muito perigosas, sem falar nas ondas que
quebram com violência. Apesar da belíssima coloração da água (verde e azul em alguns pontos), não se
pode vacilar. Praia deserta, helicóptero no ar. Conforme haviam previsto os campistas de Parnaióca,
avistamos um helicóptero dando rasantes naquelas praias, mas ele não interceptou ninguém. É importante
dizer também que, ao atravessar o Costão do Demo, via obrigatória para se chegar a pé a enseada da
praia do Sul, cujo acesso só é permitido nas areias, é preciso estar bem calçado e observar a maré.
Não se deve arriscar atravessa-lo em condições adversas pois qualquer deslize é fatal.
De volta a Aventureiro, pensamos em várias opções para o dia seguinte em termos de replanejamento da
viagem, desde a permanência na praia, a separação do grupo, até o término do passeio em Araçatiba,
alugando-se um barco para voltarmos ao continente. As opiniões variaram demais, e não foi possível
concordar com os argumentos que estavam sendo apresentados. Por causa disso, sempre havia pessoas
insatisfeitas ou angustiadas com o que estava acontecendo com a equipe. Tudo isso entre uma refeição
escabrosa e outra - vale destacar a sopa salgada que o Egidio comeu diante da câmera do Julio, assim como
o pão sírio mofado que até as galinhas rejeitaram. Diante desses desastres culinários, traçar o PF do
barzinho ao lado era quase uma obrigação. |
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4º dia - 05/01/2002
Com todos devidamente descansados, foi acertada a saída de Aventureiro rumo a Araçatiba às 7h. Para
isso acordamos antes das 6h e presenciamos mais um belíssimo nascer do sol. Com eficiência arrumamos as
mochilas, desarmamos as barracas e partimos. O sol ainda não estava forte, o que nos ajudou muito durante
a trilha que separa Aventureiro da primeira parada: Praia de Provetá, a última virada para o lado
oceânico da ilha. Foi talvez a trilha mais íngreme de toda a nossa jornada, mas nem por isso foi a mais
árdua. Daquele ponto em diante, começamos a falar mais nas trilhas, cantar, achar graça até nas horas
difíceis. A tensão foi diminuída em função disso, e a conseqüência foi uma inesperada melhora no
ritmo e no entusiasmo de cada um. Demoramos apenas 1h para chegar até o topo do morro que separa as duas
vilas. Mais 45 minutos e já estávamos em Provetá. Por chegarmos cedo naquela vila, aproveitamos para
passar mais uma hora conhecendo o lugar. Tínhamos tempo e ânimo de sobra. Por causa disso, ao
continuarmos a trilha até Araçatiba, atravessamos a longa subida e a íngreme descida com rapidez mais
uma vez. Depois de 1h30 e sem que avistássemos nenhum ponto de água atraente, chegamos na bifurcação
que divide as trilhas para a Praia Vermelha e para Araçatibinha. Caso seguíssemos o planejamento
estabelecido em Aventureiro, ficaríamos em Araçatiba e teríamos tempo para conhecer a gruta do Acaiá,
uma das mais belas atrações da ilha, que fica em sua extremidade sul. No entanto, definiríamos nossa
desistência em alcançar Abraão. Guilha aproveitou o ótimo momento e fez a proposta que alterou os
nossos planos. Era ainda meio dia e já tínhamos praticamente concluído o percurso do dia inteiro.
Contávamos com bastante gás e estávamos dispostos a deixar a gruta de lado se conseguíssemos chegar a
Abraão no tempo previsto. A gruta estava incluída no percurso primeiramente acertado, mas a nossa
estadia alongada em Aventureiro inviabilizava as duas coisas. Milla e Thiago eram a nossa preocupação
maior, mas naquele momento felizmente estavam motivados o bastante para aceitar o desafio de continuar por
mais cerca de 5 horas de trilhas, até um camping em Matariz, que não sabíamos se conseguiríamos chegar
antes do sol se pôr.
Seguimos rumo a Abraão, e nos demos o direito de comemorar a decisão na praia de Araçatibinha, ou
melhor, num barzinho dali durante pouco menos de uma hora. Almoçamos e continuamos. A partir daquele
momento, atravessamos diversas praias, separadas por morros. Nossa atividade repetia-se em caminhar pela
areia, subir um morro e desce-lo até a praia seguinte. Mesmo assim, não era monótono. Curiosamente, e a
despeito da ocupação das praias do lado interno da Ilha Grande, as trilhas não são bem sinalizadas. Em
caso de dúvidas, é preciso perguntar aos moradores e seguir os postes de luz, que não tem erro. Outra
característica dessas trilhas é a ausência total de pontos d´água. Isso só não se torna um problema
maior porque as trilhas nunca são mais longas do que uma hora e meia, e sempre em seu final há uma praia
com alguma infra-estrutura pelo menos quanto a bares e restaurantes. Nesse esquema, passamos pela praia
Longa e Ubatubinha, a primeira que compõe a grande enseada de Sítio Forte. Decidimos parar em Ubatubinha
porque já eram 16h. O tempo começava a fechar e isso nos preocupava. Sabíamos que estávamos mais
próximos do destino traçado para aquele dia, mas o cansaço já era enorme e não tínhamos ao certo a
noção de quanto tempo ainda levaríamos até Matariz. Precisávamos aproveitar as poucas horas de sol
que nos restava, senão estaríamos com problemas. Sítio Forte tem praias particulares e trilhas
rápidas, para a nossa felicidade. Mesmo assim, tínhamos que correr. Passamos por Tapera, praia de Sítio
Forte e finalmente Maguaraquissaba, tudo isso em pouco menos de 1h30. Antes, porém, erramos o caminho
-desviamos da trilha - mas não perdemos muito tempo. É preciso estar atento e ter uma noção de
orientação para não chegar a praias que não fazem parte do caminho sugerido no mapa oficial da ilha.
Contornamos mais um morro e nos vimos em mais uma dúvida sobre a continuidade da trilha. Era, então,
Maguaraquissaba. Perguntamos a família de uma casa próxima sobre o caminho certo e a conversa foi se
alongando. Os moradores ficaram impressionados com o que já tínhamos percorrido e nos ofereceram água.
Dissemos que pretendíamos chegar a Matariz, eles avisaram que não valia a pena. Poderíamos chegar lá
no escuro e nos decepcionar. Percorremos a praia de Passaterra, onde há várias pousadas, em busca de
camping ou mesmo estadia em alguma das que vimos. Feliz ou infelizmente nenhum dono de pousada permitiu a
nossa permanência, nem pagando um quarto como qualquer outro hóspede. Diante disso, voltamos àquela
família acolhedora, que nos cedeu espaço no quintal (cimentado) para passarmos a noite. Sem gastos com
água ou camping, não tínhamos como recusar a proposta. Não apenas ficamos ali, mas usamos banheiros
limpos, fomos fotografados e convidados até para assistir televisão. Neste dia totalizamos 8h de
caminhadas e 11h desde a nossa saída de Aventureiro, algo surpreendente e extremamente encorajador. |
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5º dia - 06/01/2002
Nossa próxima pernada seria mais curta, apenas até o Saco do Céu. Saímos cedo da casa da tal família
em direção a Matariz, atingida 50 minutos e um morro íngreme depois. Paramos num pequeno armazém
vizinho à única, porém nova área de camping. Continuamos a caminhada subindo e descendo outros morros,
atrás dos postes de luz, chegando a pequenas praias protegidas por enseadas e cheias de pousadas como na
tarde do dia anterior. Passamos por Bananal e Bananal Pequeno. Depois de mais uma hora de subida bem
puxada, chegamos à Freguesia de Santana, o ponto de nossa jornada mais próximo do continente. Lugar
tranqüilo, com águas azuladas e sombra. Dois caminhos levam a outra parte da vila, ambos bem abertos e
sinalizados. Há uma igreja antiga e toda uma interessante história pode ser conhecida a partir das
placas informativas espalhadas pelas trilhas. Mais um caminho desprotegido de altas árvores durando cerca
de 40 minutos - e sem pontos d´água - nos levou até a praia de Japariz, último ponto antes do nosso
destino. Trinta minutos depois estávamos na grande enseada, o Saco do Céu. Contornamos até a Praia de
Fora, onde fica o camping Cantinho da Dona Maria. Lá, reencontramos um trio de andarilhos que há algumas
semanas passeavam pelas trilhas da Ilha Grande. Eles nos acompanharam na última etapa da viagem. |
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6º dia - 07/01/2002
Na tarde daquela segunda-feira deixamos a praia de Fora rumo a Abraão, finalmente. A trilha é muito
rápida, super leve em relação ao que já tínhamos passado. Há tempos cada um já tinha estabelecido
uma velocidade e estilo de caminhada, ainda que isso descaracterizasse-nos enquanto grupo. Nesta trilha a
equipe só se reuniu realmente no Poço dos Escravos, uma piscina natural - que na ocasião estava cheia
de turistas - a 15 minutos de Abraão. Antes de chegarmos lá, paramos na casa que vende pastel e caldo de
cana, a exemplo da primeira vez que a troop (com outros integrantes) passou por aquele trecho. Brindamos a
conclusão da nossa desafiadora viagem, brindamos os conflitos e as surpresas que nos fizeram crescer como
pessoas durante aquela incrível experiência em Ilha Grande. Pouquíssimo tempo após a comemoração,
cantando a musiquinha da troop e com a bandeira em punho, invadimos a praça principal da vila e refizemos
tudo o que percorremos apontando o dedo para o mapa oficial das trilhas. O embarque não tardou, e a
vontade de retornar à ilha, com outro grupo e outro roteiro, também não tardará. |
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